sábado, 5 de novembro de 2011

Livres das Amarradas do Medo Viveremos o teu Evangelho!


Irmãs e Irmãos, confiantes temos vivido nossos dias, com uma confiança descomunal em dias melhores. Movidos por um sopro de Esperança, buscamos imitar aquele que é o modelo de nossa Esperança, o Cristo Libertador!

Ao longo de nossa historia diversas pessoas abraçaram uma vida diferenciada na busca de ser mais semelhante ao Libertador que nos faz ser mais esperançosos. Destaco aqui aqueles que deram sua vida para melhorar a vida dos irmãos e das irmãs, na promoção da justiça e da paz.

Celebrando a Solenidade de Todos os Santos e Santas de Deus, fazemos memória daqueles que seguindo o exemplo de Cristo assumiram a Cruz e fizeram brilhar grande luz na defesa do nosso povo. Mesmo que não tenham sido elevado a honra dos altares, foram elevados as honras celestiais pois são Bem Aventurados!

Imitemos o exemplo daqueles que nos precederam na fé!

Um Abençoado Domingo a todos!

segunda-feira, 31 de outubro de 2011


Queridos e Queridas,

tenho passado por muitos momentos marcantes, desde que descobri que as lutas do meu povo são causa da minha vida, mas, viver o que vivi no Dnj Capixaba estava para além de minhas expectativas.

Após viver um processo complicado como foi a II Conferência de Juventude, pensei que viver a nossa Festa me faria descansar! Embora não tenha descansado o DNJ fez mais por mim, todos os seus momentos reforçaram meus ideias e reanimaram as minhas forças...

Todos os encontros desde o sábado até os últimos do domingo, foram para me relembrar que outros jovens como eu, compartilham das minhas lutas e vitórias.

No domingo acordei em Cariacica Lugar onde tombou o mártir Padre Gabriel, fonte inspiradora de lutas populares, me coloquei a caminho de Vitória na companhia valiosa do Alexandre Lemos.

Na praça do Papa a movimentação já era considerável. Quando chegamos na Praia de Camburi, uma multidão já cantava e celebrava a vida.

Então Marchamos, Marchamos mesmo, em conjunto sob brados de reivindicações, éramos tantos, mais tantos! Creio que uns 60 mil.

Celebramos a Eucaristia como sinal de unidade e comunhão, e ao final Eu (Lucas Francisco Neto) e a mais nova amiga Camila Valadão, entregamos ao Governador Renato Casagrande, as propostas da juventude para um novo Espírito Santo que não se destaque apenas pela baixa qualidade de vida da população.

Há que se destacar a fala da Camila. Como não me emocionar? Como não trazer a minha memória todos os jovens que tem sido vitimados pela política de extermínio que se encontra aí instalada.

Bem, mas desde a Marcha marquei minha posição... Vou continuar... Pois bem sei, "Esperar não é saber!"

Ainda me emociono ao Lembrar! Como foi linda a nossa Festa e como ainda é Grande a Nossa Luta!

Parabéns!

Que Deus nos abençoe!

Avante!!!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

E para onde vai sua Marcha?



Dizem que marchamos sem rumo, sem direção, sem motivo! Temos nos posto em marcha desde antes de nascer. Desde o ventre de nossas mães temos travado lutas. Sobreviver em um país de terceiro mundo é uma luta constante. Lutamos para que nossas mães sejam acompanhadas por um medico durante a gestação. Lutamos para que possamos nascer em um hospital com as mínimas condições de atendimento. Lutamos para nos alimentar. Mais tarde vem a idade escolar, e começa a luta para aprender o conteúdo formal que nos ensinam e que muitas vezes nada tem haver com a realidade em que estamos incluídos.

As vezes me pergunto quantas lutas ainda terei para lutar, mas enquanto não descubro a resposta vou empenhando todas as minhas forças nas lutas que se apresentam diante dos meus olhos a cada dia, enquanto por aqui vou vivendo “nesta terra onde reina o desatino”!

quarta-feira, 30 de março de 2011

Estamos a beira de uma Crise Nuclear Internacional?

Recentemente tem ocupado um grande espaço na mídia a ultima grande catástrofe natural ocorrida no Japão, um terremoto de grande magnitude, que por sua vez causou um grande maremoto. Após grandes catástrofes naturais por menor que seja a sua extensão, existe um impacto efetivo na vida pratica da localidade em que ocorreu o desastre natural, no caso em analise o dano causado foi máximo, em um estado amplamente industrializado, com uma economia forte e a cada dia mais crescente, mas o que mais chama a nossa atenção é a questão dos possíveis vazamentos de materiais nucleares em Fukushima e seu impacto sobre as questões ambientais. Analisamos aqui, o meio ambiente em seu paradigma global. O Principio I da Declaração de Estocolmo, assim dispõe: “O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequados em um meio cuja qualidade lhe permita levar uma vida digna e gozar de bem-estar e tem a solene obrigação de proteger e melhorar esse meio para as gerações presentes e futuras”. Consagrando desta forma, o principio de que o Ambiente Ecologicamente Equilibrado é um Direito Fundamental da Pessoa Humana, é preciso perceber que se o ambiente não dá às pessoas as condições adequadas para a sua vida saudável é preciso que alguém tome uma postura no sentido de promover tal direito fundamental, mas as ameaças a pessoa humana na maioria das vezes são produzidas pelas próprias pessoas, caso em que, no Japão tal princípio pode sim estar sendo desrespeitado indiretamente, mas, não diretamente, uma vez que o motivo que ocasionou o possível vazamento é uma catástrofe natural. Ainda falando sobre a declaração de Estocolmo o principio 17, insiste que a intervenção do estado é obrigatória, portanto não se pode admitir que algum país seja omisso em sua obrigação de proteger e controlar o uso dos recursos ambientais a ele pertencentes, por serem os bens naturais de natureza publica e coletiva. É preciso analisar ainda que, quanto ao dano ambiental é imprescindível impedi-lo (Principio da Prevenção e Precaução), uma vez que sua reparação poderá ser impossível ou difícil, técnica ou economicamente. No caso da usina nuclear japonesa, outro problema ainda se demonstra e outros princípios do direito ambiental não são levados em conta. Pensando ainda em um meio ambiente globalizado, a comunidade internacional amparada pela Declaração do Rio de Janeiro, deveria se informada e notificada da situação ambiental, em decorrência dos princípios 10, 18 e 19, mas, contrariamente a estes preceitos o estado japonês tem negado informações. Devemos ainda, falar sobre outro princípio o da Cooperação entre os Povos, consagrado no princípio 2 da Declaração do Rio de Janeiro, veremos que embora cada estado tem o direito de explorar seus recursos naturais, desde que não coloque em risco o equilíbrio ambiental de outros estados. No caso em estudo, o Japão ao desrespeitar tais princípios coloca em risco a relação de equilíbrio entre as nações quanto ao controle ambiental, ainda poucos minutos antes de iniciar a redação deste artigo, através de um canal a cabo de notícias soube que em Nova York foi detectada, na chuva, certa quantidade de material radioativo proveniente da usina japonesa, a quantidade de acordo com a notícia é ínfima e por isso não causa risco a saúde humana, mas, em longo prazo poderá ser, vemos aí a quebra do ultimo princípio declinado.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

CARTA ABERTA A CNBB


Carta Aberta a CNBB
Guarapari 07 de outubro de 2010.
Prezados Senhores,
Vou ser breve em minhas colocações, pois, a dinâmica da vidamoderna me exige essa atitude. me dirijo a Vossas Reverendíssimas como católicopraticante e critico da situação de alienação em que se encontram determinadossetores de nossa Igreja quero cobrar da CNBB uma posição firme, quanto ao fatode alguns padres usarem a igreja para difundir informações inverídicas ecaluniosas quanto a Dilma Roussef e o Partido dos Trabalhadores, eu vejo que osSenhores Bispos (sem querer generalizar mas já o fazendo) estão esquecendo doCristo pobre presente na vida pratica das pessoas e ainda mais esquecendo docristo servo acolhedor, que aceita as diferenças, os pastores deste povo não podemse colocar a serviço da elite exploradora e fazer coro a voz daqueles que sóquerem nos dominar e crescer as nossas custas. A poucos dias fui a uma missa emminha cidade, e um padre já idoso (quero eu acreditar que não esteja em plenogozo de suas faculdades mentais) em um discurso quase que cruzadista apontavaerros das Igrejas Protestantes (sinceramente me senti em um culto de uma “igrejade fundo de quintal” dessas que compram cinemas) fiquei profundamente ofendido,logo nós que falamos tanto em ecumenismo.

Bem encerro, suplicando que a atitude de tais pastores queafrontam contra a dignidade de nossa instituição e principalmente contra aseriedade de nossos cultos, a serviço desta campanha infeliz de desrespeito aoBrasil, se reverta em atitudes de politização do povo, vamos antes construir umdebate, receber os mais diversos setores da sociedade para discutir nossospontos de vista, isso sim é democracia! Democracia não é fazer o que o padrediz. Lamentável é saber que alguns padres pensam que são senhores feudais e quenós católicos somos seus servos, ouvi uma frase e refleti muito “o coronelismovestiu batinas”, quanto a mim, estou orando firmemente para que esses lobostravestidos de pastores, não abalem definitivamente a estabilidade da “Barca dePedro”.

Me despeço pedindo a benção dos tantos quanto essa cartachegar, pois, na força de nosso batismo somos todos sacerdotes em Cristo Jesus,e ainda mais, pedindo que nesse Segundo Turno, votem com a cabeça e não com aopinião de um grupo elitista que só quer vender o Brasil.
Lucas Francisco Neto

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Lutar em busca de?

Mais uma madrugada de um frio inverno no litoral, e eu aqui ao invés de dormir, escrevendo coisas para postar em um blog que eu nem sei se alguém lê, ao menos, alguém segue. Obrigado amigos!

Hoje não quero pontuar, não vou me preocupar com o estilo do texto, vou apenas escrever, quem sabe assim sem preocupações gramaticais consiga explicar quem eu SOU; primeiro para vocês meus “leitores” depois para minha própria consciência.

Na verdade eu nem sei quem sou, ou o que sou, mas será que alguém sabe?! A quem diga que isso é uma eterna busca, de fato são tantas buscas nessa vida, ultimamente tenho reparado bem como viver é lutar, lutar ora por coisas simples e horas por coisas complexas.

Eu tenho lutado muito ultimamente por tudo em que acredito, embora às vezes não acreditem em mim. Queria ser aceito assim, lutador. Um amigo por vezes amável, por vezes ríspido. Por vezes simpático por vezes tímido, na verdade nunca parei para observar se sou aceito ou não em algum grupo afinal de contas estou sempre presente em tantos grupos.

Tenho me perguntado a serviço de quem está a minha política (luta) pensei em fazer minha a resposta de D, Pedro Casaldaliga no filme: “O anel de tucum” (recomendo), mas descobri que não luto apenas em favor do outro ou ao lado de Deus, minha luta é cada dia mais em meu favor.

Quando falo em segurança publica é porque não quero mais ser assaltado, quando falo em saúde é porque sei que em algum momento vou precisar de um hospital, quando falo em educação é porque meus filhos (se os tiver) precisarão estudar, quando falo em lazer então é porque não vivo sem uma boa diversão, quando falo em moradia lembro-me que moro de aluguel, quando falo em métodos contraceptivos, meço as palavras porque sou católico e nem lembro que tem muita gente morrendo vitima da AIDS, (será que devo mudar de religião?).

Assim me pergunto nessa madrugada será que estou defendendo os meus próprios interesses ou essas são as necessidades de todos? Quem terá as respostas? Deus? O Buda? Tupã? Marx? Nietzsche? Gandhi? Papa? Obama? Bin Laden? Lula? Dilma? Serra(esse não)? Não, quem pode dizer o que precisa, é quem precisa.
Preciso então, definir por quem eu vou lutar e deixar que esse alguém decida por que ele quer que eu lute!

Bom dia amigos e um forte abraço indagador!
Em busca de que você quer que eu lute?

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Um pouco da minha historia...


Sou natural de Guarapari/ES, nasci em 28 de novembro de 1989, sou filho de Auronávia Silva Neto, pedagoga militante no magistério, quando eu era apenas um nascituro o país passou por grandes mudanças – Eleições Diretas e tudo mais – talvez eu tenha nascido ao som dessa mistura de euforia e liberdade.

Aos poucos como é comum, fui crescendo e conhecendo o mundo, ainda muito jovem despertei o interesse pela religiosidade, gostava de ir à missa, procissões e lembro que ainda com 3 anos de idade era assíduo as celebrações e missas dominicais e gostava sempre de sentar ao lado do padre.

Na minha cidade existia um padre, hoje já transferido, muito carinhoso com as crianças e adorava ser ajudado por um “exército” de coroinhas, com 4 ou 5 anos eu me tornei um deles desde então meu engajamento com a Igreja não acabou mais, as vezes forçando a barra por divergência de opinião com as lideranças, as vezes colhendo apenas os espinhos das flores que quis plantar, mas sempre perseverante.

Como eu disse “opinião” eis aí uma palavra que pode me resumir, desde muito cedo freqüentei o ambiente escolar e acadêmico (para que minha mãe pudesse estudar e trabalhar), desde cedo me destaquei por me interessar por assuntos que não eram da “competência” de uma criança.

Lembro com carinho de um fato:

“os salários do magistério municipal estavam atrasados há meses, na casa de alguns professores já começava a faltar o que comer, na minha também a situação não era das mais agradáveis, foi quando as professoras entram em greve e eu fui até a minha mãe que aquela altura também estava envolvida no movimento e me coloquei a disposição para ajudar, lembro bem ‘FUI A TODAS AS PASSEATAS!’ isso foi por volta de 1993 eu ainda não tinha sequer 4 anos de idade, as vezes penso que já nasci militante”

Como é comum acontecer cresci, estudei o ensino fundamental e médio em escolas públicas aqui da região. Quando terminei o ensino médio comecei a pensar em dedicar a minha vida em favor dos outros, mas enquanto amadurecia e amadurecia a idéia, fiz o Enem e me matriculei em uma faculdade particular aqui da região no curso de Direito, cursei até o sexto período, quando convidado decidi fazer uma experiência com a Ordem dos Salesianos de Dom Bosco.

Recentemente me filiei ao Partido dos Trabalhadores, e estou tentando junto com um grupo de pessoas que compartilham de ideais próximos dos meus construir um Brasil melhor, um Espírito Santo mais forte e uma Guarapari mais desenvolvida.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

ARACELI: SÍMBOLO DA VIOLÊNCIA

Hoje quero falar de uma coisa que queima, que compromete, que no Espírito Santo ainda faz o chão tremer!
"Durante mais de três anos, na década de 70, pouca gente ousou abrir a gaveta do Instituto Médico-Legal de Vitória, no Espírito Santo, onde se encontrava o corpo de uma menina de nove anos incompletos. E havia motivos para isso. Além de o corpo estar barbaramente seviciado e desfigurado com ácido, se interessar pelo caso significava comprar briga com as mais poderosas famílias do estado, cujos filhos estavam sendo acusados do hediondo crime. Pelo menos duas pessoas já tinham morrido em circunstâncias misteriosas por se envolverem com o assunto.

Ainda assim, corajosos enfrentavam os poderosos exigindo justiça, tanto que o corpo permanecia insepulto na fria gaveta, como se fosse a última trincheira da resistência. O nome da menina era Araceli Cabrera Crespo e seu martírio significou tanto que o dia 18 de maio – data em que ela desapareceu da escola onde estudava para nunca mais ser vista com vida – se transformou no Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Por uma dessas cruéis ironias, Jardim dos Anjos era onde ficava um casarão, na Praia de Canto, usado por um grupo de viciados de Vitória (ES) para promover orgias regadas a LSD, cocaína e álcool, nas quais muitas vítimas eram crianças – anjos do sexo feminino. Entre a turma de toxicômanos, era conhecida a atração que Paulo Constanteen Helal, o Paulinho, e Dante de Brito Michelini, o Dantinho, líderes do grupo, sentiam por menininhas. Dizia-se, sempre a boca pequena, que eles drogavam e violentavam meninas e adolescentes no casarão e em apartamentos mantidos exclusivamente para festas de embalo. O comércio de drogas era, e é muito enraizado naquela cidade. O Bar Franciscano, da família Michelini, era apontado como um ponto conhecido de tráfico e consumo livres.

Suspeitas sobre a mãe da menina

Araceli vivia com o pai Gabriel Sanches Crespo, eletricista do Porto de Vitória, a mãe Lola, boliviana radicada no país, e o irmão Carlinhos, alguns anos mais velho que ela. Na casa modesta, localizada na Rua São Paulo, bairro de Fátima, era mantido o viralata Radar, xodó da menina, que o criava desde pequenino. Segundo o escritor José Louzeiro que acompanhou o caso de perto e o transformou no livro “Araceli, Meu Amor” – o nome Radar foi escolhido pela garota “para que o animal sempre a encontrasse”. Araceli estudava perto de casa, no Colégio São Pedro, na Praia do Suá, e mantinha urna rotina dificilmente quebrada. Ela saía da escola, no fim da tarde, e ia para um ponto de ônibus ali perto, quase na porta de um bar, onde invariavelmente brincava com um gato que vivia por ali.

No dia 18 de maio de 1973, uma sexta-feira, a rotina de Araceli foi alterada. Ela não apareceu em casa e o pai, num velho Fusca, saiu a procurá-la pelas casas de amigos e conhecidos, até chegar ao centro de Vitória. Nada. A menina não estava em lugar algum. Só restou a Gabriel comunicar a Lola que a filha estava desaparecida e que tinha deixado seu retrato em redações de jornais, na esperança de que fosse, realmente, somente um desaparecimento. No dia seguinte, quando foi ao colégio para conseguir mais informações, Gabriel ficou sabendo que a menina tinha saído mais cedo da escola. De acordo com a professora Marlene Stefanon, Araceli tinha “ido embora para casa por volta das quatro e meia da tarde, como a mãe mandou pedir num bilhete”.

Na véspera, Lola tivera uma reação aparentemente normal ao constatar a demora da filha em chegar em casa. Primeiro, ficou enervada; depois, preocupada. No sábado, tarde da noite, sofreu uma crise nervosa e precisou ser internada no Pronto Socorro da Santa Casa de Misericórdia. Ainda no início do processo, acabariam pesando sobre ela fortes suspeitas e graves acusações. Lola foi apontada como viciada e traficante de cocaína, fornecedora da droga para pessoas influentes da cidade e até amante de Jorge Michelini, tio de Dantinho. E mais: ela era irmã de traficantes de Santa Cruz de La Sierra, para onde se mudou tão logo o caso ganhou dimensão, deixando para trás o marido Gabriel e o outro filho, Carlinhos. Não se sabe até onde Lola facilitou ou estimulou a cobiça dos assassinos em relação a Araceli.

Menina era usada no tráfico de drogas

A respeito de Dantinho e de Paulinho Helal, dizia-se que uma de suas diversões durante o dia era rondar os colégios da cidade em busca de possíveis vítimas, apostando na impunidade que o dinheiro dos pais podia comprar. Dante Barros Michelini era rico exportador de café (tão ligado a Dantinho que chegou a ser preso, acusado de tumultuar o inquérito para livrar o filho). Constanteen Helal, pai de Paulinho, era comerciante riquíssimo e poderoso membro da maçonaria capixaba. Seus negócios também incluíam imóveis, hotéis, fazendas e casas comerciais. Já o eletricista Gabriel, seu maior tesouro era a filha. No domingo, ele foi à delegacia dar queixa, onde lhe foi dito que tudo seria feito para encontrar Araceli. Na Santa Casa, ele contou a Lola o resultado de sua busca e falou da garantia dos policiais de que tudo acabaria bem. Lola pareceu não acreditar – e chorou. O escritor José Louzeiro não tem dúvida:

Lola foi, indiretamente, a causadora do hediondo crime de que sua filha foi vítima. “Na sexta-feira, a mando da mãe, Araceli tinha ido levar um envelope no edifício Apoio, no Centro de Vitória, ainda em construção, mas que já tinha uns três ou quatro apartamentos prontos, no 8º andar. A menina não sabia, mas o envelope continha drogas. Num dos apartamentos, Paulinho Helal, Dantinho e outros se drogavam. Ela chegou, foi agarrada e não saiu mais com vida”, conta o escritor.

O que aconteceu realmente com Araceli Cabrera Crespo talvez nunca se saiba. E talvez, seja bom mesmo não conhecer os detalhes, tamanha é a brutalidade que o exame de corpo delito deixa entrever. A menina foi estupidamente martirizada. Araceli foi espancada, estuprada, drogada e morta numa orgia de drogas e sexo. Sua vagina, seu peito e sua barriga tinham marcas de dentes. Seu queixo foi deslocado com um golpe. Finalmente, seu corpo – o rosto, principalmente – foi desfigurado com ácido.

Corrupção e cumplicidade da polícia

Seis dias depois do massacre da menina, um moleque caçava passarinhos num terreno baldio atrás do Hospital Infantil Menino Jesus, na Praia Comprida, perto do Centro da capital. Mas o que ele encontrou foi o corpo despido e desfigurado de Araceli. Começou, então, a ser tecida uma rede de cumplicidade e corrupção, que envolveu a polícia e o judiciário e impediu a apuração do crime e o julgamento dos acusados por uma sociedade silenciada pelo medo e oprimida pelo abuso de poder.

Dois meses após o aparecimento do corpo, num dia qualquer de julho de 1973, o superintendente de Polícia Civil do Espírito Santo, Gilberto Barros Faria, fez uma revelação bombástica. Ele afirmou que já sabia o nome dos criminosos, vários, e que a população de Vitória ficaria estarrecida quando fossem anunciados, no dia seguinte. Barros havia retirado cabelos de um pente usado por Araceli e do corpo encontrado e levado para exames em Brasília. confirmando que eram iguais. Por que a providência? Até então, havia dúvidas que era de Araceli o corpo que apareceu desfigurado no terreno baldio. Gabriel sabia que era o da filha – ele o reconheceu por um sinal de nascença, num dos dedos dos pés. Mas Lola disse o contrário. Assim que se recuperou, ela foi ao IML reconhecer o corpo e afirmou que não era de sua filha. Louzeiro recorda um outro fato a respeito disso, altamente elucidativo. Certo dia, Gabriel levou o cachorro Radar ao IML só para confirmar, ainda mais sua certeza. Não deu outra: mesmo com a gaveta fechada, animal agiu realmente como um radar, como Araceli premonizara, e foi direto à geladeira onde estava o corpo de sua dona.

O delegado muda de opinião

Porém, sem que explicasse o porquê (na noite anterior, ele tivera um encontro com Dante Michelini), Barros Faria mudou de opinião e, ao invés de estarrecer a população de Vitória, provocou riso e deboche por uma lado, e revolta, por outro. O assassino de Araceli, segundo ele, era um velho negro, demente, que perambulava pela Praia do Suá, perto da escola da menina. Começava a escalada de suborno, ou de medo. Coisa que não fazia parte do caráter de um sargento da Polícia Militar, lotado no serviço secreto, e de um vereador do MDB de Vitória. O primeiro, Homero Dias, acabaria pagando com a vida as investigações que fez. Certo de que estava mexendo em casa de marimbondos, o sargento Homero procurava se cercar de muito cuidado durante suas investigações. Tudo que apurava, ele comunicava a seu superior imediato, o capitão Manoel Araújo, também delegado de polícia, em quem confiava. A esposa, Elza, e ao sogro, João Dias, confidenciou certa vez: “Já tenho material para incriminar muita gente. Acho que o capitão Araújo já pode interrogar o filho de Constanteen Helal.”

Repentinamente, Homero foi afastado do caso pelo próprio capitão Araújo e recebeu ordens de perseguir o traficante José Paulo Barbosa. o Paulinho Boca Negra, na ilha do Príncipe. Na operação, Homero foi atingido nas costas e morreu. O próprio Boca Negra diria depois, na Penitenciária de Vitória, até ser calado para sempre, tempos após, com 27 facadas:

“Quem matou o sargento Homero foi o soldado da PM que estava com ele. Eu vi quando ele atirou.”

Evidências apontam para Helal e Dantinho

O vereador era Clério Vieira Falcão, falecido há cerca de seis anos, que travou incansável luta para botar na cadeia os assassinos de Araceli. Ele deflagrou uma campanha, que repercutiu em todo o país, exigindo a apuração do crime e a apuração dos culpados, que apontava: Dante de Brito Michelini, Paulo Constanteen Helal e a amante deste, Marisley Fernandes Muniz, viciada em drogas. O nome dela surgiu no caso graças à paciente investigação feita pelo perito Asdrúbal de Lima Cabral, o Dudu, que, com a ajuda de seu colega carioca Carlos Éboli, também muito contribuiu para que o caso não fosse esquecido. Louzeiro recorda, por exemplo, que certa ocasião Dudu seguiu a mãe de Araceli, Lola, até São Paulo. Ela tinha saído de Vitória vestida praticamente como uma mendiga e, num hotel da capital paulista, vestira roupas elegantes e embarcara num avião para a Bolívia. Motivo: comprar drogas para a gangue dos acusados, mesmo após a morte da filha.

Eleito deputado, Clério Falcão conseguiu formar uma CPI para apurar o caso, que obteve mais resultados que a própria polícia. Ouvida na CPI, Marisley Fernandes declarou que o casarão do Jardim dos Anjos era reduto de festas de filhos de milionários, onde se consumia grandes quantidades de cocaína e LSD.

Ela também disse, mas depois negou, que Paulinho Helal a tinha levado ao local onde estava o corpo de Araceli, num carro onde havia um frasco com um líquido amarelo e luvas. O objetivo dele, segundo a amante, era ver se precisava despejar mais ácido no cadáver para dificultar o reconhecimento. Também convocado a depor na CPI, o perito Carlos Éboli disse que os assassinos deram uma dose excessiva de LSD a Araceli.

O Caso Araceli também fez vítimas do lado dos acusados. Uma delas foi o jovem Fortunato Piccin, um viciado que perdia completamente a razão quando se drogava em excesso. Ele foi apontado pelo capitão Manoel Araújo como suspeito do crime e morreu depois de tomar um remédio trocado, na Santa Casa de Misericórdia de Vitória, da qual Constanteen Helal era provedor. Também há suspeitas de que o próprio Jorge Michelini, tio de Dantinho, tenha sido eliminado por ameaçar contar tudo que sabia. Numa madrugada, o carro que dirigia foi atingido pelo ônibus de uma empresa, cujos veículos só circulavam até meia-noite. Segundo Louzeiro, outros dois assassinados foram um mecânico que prestava serviços para Paulinho Helal e o porteiro do Edifício Apolo.

O corpo de Araceli, segundo as investigações, teria sido levado num Karmann-Ghia do Edifício Apolo para o Bar Franciscano, onde ficou dentro de uma geladeira. Posteriormente, o corpo teria sido conduzido à Santa Casa de Misericórdia, com a cumplicidade do funcionário do serviço de necrópsia Arnaldo Neres, que viraria depois dono de funerária. Finalmente, o cadáver da menina foi deixado no terreno baldio. Muita gente viu e soube do que estava acontecendo durante aqueles dias. Os carrascos de Araceli fizeram tudo quase abertamente, tal a certeza da impunidade. O inquérito policial não passou de uma farsa e o longo processo judicial não conseguiu transformar evidências em provas.

Ainda assim, em agosto de 1977, o juiz Hilton Sily (falecido em abril passado), determinou a prisão de Dante de Brito Michelini e Paulo Constanteen Helal, pelo assassinato de Araceli, e de Dante Barros Michelini, acusado de tumultuar o inquérito para livrar o filho. Em outubro do mesmo ano eles já estavam soltos e o juiz havia sido “promovido” a desembargador. Em 1980, Dantinho e Paulinho foram julgados e condenados, mas a sentença foi anulada. Em novo julgamento, realizado em 1991, os reús foram absolvidos.

O crime já prescreveu. Mas o Caso Araceli é uma ferida que nunca cicatrizou completamente. Mexer com o assunto em Vitória ainda desperta medo, revolta e incredulidade."


Fonte: Pedro Argemiro, revista Crimes Que Abalaram o Brasil

terça-feira, 18 de maio de 2010

Presidente da Câmara Municipal de Guarapari - Vereador José Raimundo Dantas é acusado de coordenar esquema fraudulento de licitações

Dez mandados de prisão temporária e 18 de busca e apreensão. Esse foi o resultado de cinco meses de investigação de fraudes em licitações municipais descobertas pela “Operação Ramá”, realizada pelo Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio do Grupo Especial de Trabalho Investigativo (Geti), em parceria com a Polícia Militar (PMES). Os mandados foram cumpridos nesta terça-feira (18/05).

O MPES investigou um esquema fraudulento que contava com a participação da empresa KMD Construtora e Prestadora de Serviços Ltda – EPP e de servidores públicos infiltrados nas Comissões Permanentes de Licitações (CPLs) das Prefeituras. O objetivo era manipular os procedimentos. Segundo o órgão, o grupo criminoso atuava nos municípios de Guarapari, Ecoporanga e Boa Esperança.

O Geti afirma ainda que o coordenador do esquema seria o presidente da Câmara de Guarapari, José Raimundo Dantas. O vereador encontra-se foragido. Em Ecoporanga, duas pessoas foram presas: o presidente da comissão de licitação da prefeitura e um representante da empresa responsável pela limpeza pública municipal. Eles foram encaminhados para Vitória, onde já começaram a ser tomados os depoimentos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Plano Nacional de Cultura tem redação final aprovada


O Plano Nacional de Cultura (PNC), de autoria do deputado Gilmar Machado (PT-MG) teve a redação final aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara nesta terça-feira (4/05).


O Plano tem como objetivo o desenvolvimento cultural do país e a integração de iniciativas do Poder Público que conduzam à defesa e à valorização do patrimônio cultural.

E ainda, o plano valoriza a produção, promoção e difusão dos bens culturais; formação de pessoal qualificado para a gestão do setor; democratização do acesso aos bens culturais e valorização da diversidade étnica e regional.

\"A cultura brasileira está passando por um extraordinário processo de mudança e começa a ser vista como algo que, além de gerar lazer, é uma indústria que gera empregos, distribuição de renda e inclusão social. O Plano Nacional de Cultura é parte importante desse processo\", ressalta Gilmar. A proposta segue agora para o Senado.

\"Cultura é um direito humano que contempla não só a dimensão da transmissão de conhecimento e informação, lazer, mas sobretudo por ser um forma em que a expressão e o fazer cultural contam o passado, a história de um povo, de comunidades. E é com o pleno acesso ao seu processo histórico é que as comunidades podem projetar o seu futuro. A imaterialidade deste saber tem um valor fundamental na vida cotidiana e coletiva, no reconhecimento da cidadania\", defende a deputada federal Iriny Lopes.

\"A cultura, seu patrimônio histórico, suas manifestações, contam o jeito de ser, de pensar e viver das localidades. No Espírito Santo temos uma pluralidade de manifestações, como a folia de Reis de Muqui, a mesa de Santa Bárbara dos quilombolas, o congo e suas batidas diversificadas a depender da região. Enfim, são essas expressões que nos permitem entender e respeitar o processo de construção daquelas comunidades. O desconhecimento é responsável por boa parte das intolerâncias\", argumenta Iriny.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Tenho 16 anos, preciso votar?

Dois mil e dez é ano de eleição e nisso surge aquela dúvida entre os jovens
de 16 e 17 anos: é preciso votar? Pela lei, apenas cidadãos a partir dos 18
anos são obrigados a votar. Porém, aqueles que têm mais de 16, e já querem participar da escolha do presidente da República e outros cargos, pode optar por votar também.

Mas, por que votar com 16 anos se eu só preciso mesmo votar aos 18? Pois é gente, é uma dúvida que eu também tenho. Particularmente, não gosto de política, mas sei que esse ano, pelo fato de eu ter 16 anos, eu posso pelo menos tentar mudar alguma coisa nisso tudo. A campanha “Te liga 16!” surgiu com esse objetivo: incentivar os jovens a escolher aquilo que eles acham melhor para o nosso Brasil, até porque, somos o futuro do nosso País, não é?

É isso que todos nós deveríamos fazer, para, mais tarde, podermos reclamar sobre o que não gostamos e tentar fazer com que isso mude. Além disso, agora, existe mais uma facilidade: o título de eleitor pode ser feito pela Internet. É bem seguro, apenas é preciso saber os sites certos para que nossos dados caiam em mãos erradas. O meu foi feito pela Internet mesmo e, em uma semana, pude pegar ele no Cartório Eleitoral da minha cidade.

Outra coisa que devemos pensar ao votar é na pessoa que acharmos certa para comandar a política do nosso País. Por mais chato que seja e por mais
repetitivo, é interessante que, quando começar a Propaganda Eleitoral na
televisão, todos reservem um tempinho para, ao menos, conhecer os
candidatos.

Ah! E não adianta conhecer o candidato, gostar de suas propostas, votar e
depois não cobrar dele aquilo que ele prometeu! Temos que ter em mente que assim que escolhidos por nós, os candidatos tem a obrigação de cumprir tudo aquilo que eles prometeram, porque foi assim que ganharam nossa confiança.
Só votando e cobrando que teremos um Brasil melhor.

Temos que lutar desde cedo para construirmos um novo futuro. Então, se
preparem para, em outubro, participarem da escolha dos nossos deputados
estaduais, federais, os senadores, o governador e o presidente da República!

Monique Ávila

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Ecos da História


Há tempos atrás nos Estados Unidos da América ao som de um coro gospel, ouviu-se uma frase: “Eu tenho um sonho!” esse homem um reverendo protestante, negro de meia idade, chamado Martin Luther king falava de seu desejo de igualdade racial naquele país marcado pelo racismo e pela intolerância.

Há pouco mais de cem anos nascia um homem que se tornaria uma grande voz a defesa de uma fé ligada a ações efetivas em busca de igualdade: D. Helder Câmara dizia: “Bem aventurados os que sonham, porque correm o risco de ter seus sonhos realizados!”.

Faz alguns anos que um seringueiro simples gritava no seio da mãe Amazônia em defesa da floresta, essa voz foi calada, era Chico Mendes que foi assassinado por lutar contra os poderosos que oprimiam o povo da floresta com sua maquina capitalista de destruição.

Há vinte anos e alguns meses, outra voz, foi calada em nossa terra Capixaba era a voz de Gabriel, padre missionário francês, que em Cariacica fazia ecoar seu grito contra toda forma de corrupção que até hoje assombra os poderes constituídos do nosso estado e do nosso país.

Todas essas vozes foram caladas, mas uma voz ainda grita é a voz do povo unido que celebra sua fé vivenciada nas variações da historia e nas necessidades do dia-a-dia, é fé do povo que se reúne na luta por Justiça, paz, segurança... povo que quer gritar que: “A paz é fruto da Justiça!” e que só com Justiça Social e que teremos uma sociedade pacifica.

Certa vez um grande mestre em confidencia me ensinou que: “o sistema capitalista é baseado em uma grande mentira, a de que o homem é egoísta por natureza” eu afirmo o homem é amoroso por natureza, Mahatma Gandhi já afirmava isto quando dizia que o homem nasceu para salvar e não para destruir, que o homem nasceu para a paz e não para a guerra.

É acreditando nisso que eu estou aqui, em terras capixabas, mesmo sabendo que são parcas as minhas “oportunidades”. Mesmo sabendo que o perigo nos espreita, eu acredito que o povo unido pode modificar esta realidade, eu quero ser um dos agentes de tal mobilização, não quero de forma alguma assistir das arquibancadas, tenho um sonho, o sonho de participar das mudanças que quero ver acontecer.

Meu convite é para que a resposta à violência seja o nosso amor a essa condição frágil de ser humano, que se embala como um barco nas ondas desse mar revolto que é a sociedade moderna.

Um Abraço Fraterno!

E muito Axé para todos vocês meus queridos Irmãos!

Lucas Francisco Neto


“I Have a Dream”


"O caminho está cheio de asperezas, mas não obstante fadigas e humilhações, eu tenho um sonho...


Sonho que, sobre as colinas vermelhas da Geórgia, os filhos dos antigos escravos e os filhos dos escravizadores possam sentar-se juntos à mesa da fraternidade.

Sonho que, o Estado do Mississipi, repleto de opressão e brutalidade, seja transformado numa terra de liberdade e de justiça.

Sonho que, um dia o Alabama se transforme num Estado onde as crianças negras possam dar as mãos às crianças brancas e andar juntas como irmãos e irmãs.
Eu tenho ainda um sonho!

Com esta Fé eu volto para o Sul.

Com esta Fé arrancaremos da montanha da angústia um pedaço de esperança.
Com esta Fé poderemos trabalhar juntos, orar juntos, ir juntos à prisão, certos de que um dia seremos livres.

Quando isto acontecer, todos os filhos de Deus, brancos e negros, judeus e pagãos, protestantes e católicos, poderão dar-se as mãos uns aos outros e cantar aquele velho hino dos escravos:

Finalmente livres!

Finalmente livres!

Graças a Deus Onipotente,

Nós somos finalmente livres!"

Rev. Martin Luther King Jr.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Luis Fernando Veríssimo

O computador não me deixa mais errar, por mais que eu tente. Subverte o que eu tenho de mais pessoal e enternecedor e sublinha a palavra errada em vermelho insolente. Escrevi a palavra "agora" e ela apareceu na tela sublinhada. Ele está provavelmente sugerindo que talvez eu queira escrever "ágora", praça das antigas cidades gregas. Não: "ágora" também saiu sublinhada. Sua mensagem é que eu tenho uma escolha entre as duas palavras, sua insinuação é que eu não sei a diferença. Sei que não demora o programa que corrigirá sintaxe, pontuação e concordância e ainda fará comentários irônicos sobre o estilo. Mas vou continuar errando. Só pra mostrar que alguns dos nossos ainda não se intimidaram. Rá.

Luiz Fernando Veríssimo via twitter: http://twitter.com/LuisFVerissimo

domingo, 18 de abril de 2010

CAMPANHA NACIONAL CONTRA A VIOLÊNCIA E O EXTERMÍNIO DE JOVENS



Segundo relatório feito pelo RITLA, morrem por dia, em média, 54, jovens vitimas de homicídio no Brasil e ainda vale lembrar que um estudo inédito divulgado pela Secretaria Especial de Direitos Humanos estima que 33.504 adolescentes brasileiros serão assassinados em um período de sete anos, que vai de 2006 a 2013.

“Os jovens latino-americanos entre 15 e 24 anos são os que mais correm risco, em todo mundo, de ser assassinados”. E o Brasil, atrás de Colômbia e Venezuela, é o 3º país com mais assassinatos entre a população total.

Outra informação a esse respeito revela o caráter histórico da perversidade: em cada grupo de dez Jovens de 15 a 18 anos assassinados no Brasil, sete são negros. Paralelo a isso, constata-se que mais de uma em cada cinco pessoas da população jovem não estuda nem trabalha, a situação é urgente, chegou ao limite.

Fonte: RITLA – Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (WWW.ritla.org.br) e Relatório de Estudo das Nações Unidas sobre a Violência contra Crianças- ONU

O que é a Campanha?

É uma ação articulada de diversas organizações para levar a toda sociedade o debate sobre as diversas formas de violência contra a juventude, especialmente o extermínio de milhares de jovens que está acontecendo no Brasil. Com isso, a Campanha objetiva avançar na conscientização e desencadear ações que possam mudar essa realidade de morte.

Quem a promove?

As Pastorais da Juventude do Brasil (Pastoral da Juventude, Pastoral da Juventude Estudantil, Pastoral da Juventude do Mio Popular e Pastoral da Juventude Rural). Com o objetivo de unir forças na defesa da vida da juventude, varias outras organizações estão se juntando como parceira da Campanha.

Quais serão as ações da Campanha?

As ações serão feitas a partir dos três eixos da Campanha:

Eixo I: “Formação política e trabalho de base”

Ações de conscientização e sensibilização quanto aos debates de segurança pública, sistema carcerário, direitos humanos, outros tipos de violência...

Eixo II: “Ações de massa e divulgação”

Organização de marchas locais, marcha nacional e atividades permanentes.

Eixo III: “Monitoramento da mídia e denuncia quanto à violação dos direitos humanos”

Acompanhamento e denuncia das violações de direitos humanos praticadas pela mídia.

Contato: Coordenação Nacional da Campanha

Email: contraviolencia.pjb@gmail.com – Site: WWW.juventudeemmarcha.org

Endereço: Avenida Leovigildo Filgueiras, 270, Garcia – CEP 40.100-000 – Salvador/BA

Telefones: (71) 4009-6616 (71) 4009-6618 (71)9612-4859 (71) 8856-3012

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Leitores perguntam, mas Edson não responde


10/03/2010 - 00h00 (Outros - A Gazeta)

Katilaine Chagas

Não será publicada hoje a prestação de contas da prefeitura de Guarapari, diferentemente do que foi feito nas últimas sete semanas, quando o jornal A GAZETA trazia as resposta dos prefeitos das cidades avaliadas pela série Avaliação da Gestão às questões feitas por leitores. As perguntas são enviadas por meio do portal Gazeta Online.

No último dia 3, a reportagem informou à assessoria de imprensa da Prefeitura de Guarapari que, no domingo, dia 7, os leitores, por meio do site, fariam perguntas ao prefeito e que essas perguntas teriam de ser respondidas por Edson Magalhães na terça-feira (ontem) para que fossem publicadas hoje.

Na manhã da última segunda-feira, 8, foi feito um novo contato com a assessoria da prefeitura a fim de marcar a segunda entrevista, que seria feita por telefone. A assessoria informou que o prefeito tinha duas reuniões agendadas durante a manhã de terça-feira e que, por isso, naquele momento, não poderia confirmar se haveria entrevista. Ao longo de toda a segunda-feira, a reportagem entrou em contato com a assessoria, mas sem sucesso.

Na terça-feira pela manhã foi feita uma nova tentativa com a assessoria, que passou a demanda para a secretária do prefeito. A secretária, por sua vez, informou que aguardaria um telefonema de Edson Magalhães para verificar a disponibilidade de agenda. Até o fechamento desta edição, ontem à noite, não houve retorno por parte da prefeitura.

As perguntas que seriam feitas ao prefeito

1 - Cleo B: Quando Guarapari terá um hospital? Não que o PA em caso de emergência não atenda, mas para casos graves precisa-se de um bom hospital. Quando teremos essa resposta?

2 - Carlos V: Quando o senhor vai olhar a zona rural do município? Não temos estradas para escoar a produção. Nosso município é um dos maiores produtores de banana prata do Estado. Na localidade de Vargem Fria, em Rio Claro, não se passa nem de carro de boi, que dirá de automóvel.

3 - Murilo S: Quando o asfalto chegará aos bairros Jardim Santa Rosa e Jardim Europa?

4 - Claudia P: O restante da Praia do Morro será asfaltado?

5 - Valter R D S: Cadê as obras de Reta Grande? Esperamos quadra de esporte, tratamento de esgoto e asfalto.

6 - Valter R D S: Quando serão cumpridas as promessas de reconstrução da ponte do rio Una, escolas de ensino fundamental (no Una e no Paturá), drenagem da rua Viana, reconstrução da praça do Una, serviços de drenagem do canal do campo de futebol do Una e posto de saúde?

8 - Ingeborg H: Existem projetos de melhoria para Setiba?

9 - Filipe R: Há providências sobre transporte coletivo de Guarapari, que está irregular. Há algum projeto para o trânsito?

10 - Ismael Junior Curty C: Há projeto de criar a guarda municipal para cuidar do trânsito e dar mais segurança nas praias? E para uma terceira ponte?

11 - Francis D M: Que incentivos a prefeitura oferece para atrair novas empresas?

Nossa opinião - Desinteresse em prestar contas
Difícil imaginar um prefeito recusando uma página inteira de jornal para prestar contas de seus atos, mas foi exatamente isso que Edson Magalhães (PPS), de Guarapari, fez.
Todos os demais sete administradores que participaram da série Avaliação da Gestão responderam com atenção às perguntas dos leitores. Edson, portanto, possivelmente será o único a não utilizar este espaço. Ao não responder aos pedidos de A GAZETA, o prefeito de Guarapari não demonstrou só descaso com um trabalho jornalístico que objetiva justamente identificar os avanços e falhas das administrações das principais cidades do Estado. Ele, na verdade, demonstrou descaso com os moradores do seu próprio município e até mesmo certa arrogância, ao sugerir que não precisa prestar contas. A GAZETA pede desculpas a seus leitores e agradece a participação. Quanto ao prefeito, apenas lamentamos que uma cidade importante como Guarapari tenha no comando uma pessoa que se recusa a atravessar a ponte construída entre o jornal e os moradores da cidade.

É A TREVA: RUMO AO DESASTRE




Leonardo Boff


Uma jovem e talentosa atriz de uma novela muito popular, Isabelle Drummond, sempre que fracassam seus planos, usa o bordão: ‘É a treva’. Não me vem à mente outra expressão ao assistir o melancólico desfecho da COP 15 sobre as mudanças climáticas em Copenhague: é a treva! Sim, a humanidade penetrou numa zona de treva e de horror. Estamos indo ao encontro do desastre. Anos de preparação, dez dias de discussão, a presença dos principais líderes políticos do mundo não foram suficientes para espancar a treva mediante um acordo consensuado de redução de gases de efeito estufa que impedisse chegar a dois graus Celsius. Ultrapassado esse nível e beirando os três graus, o clima não seria mais controlável e estaríamos entregues à lógica do caos destrutivo, ameaçando a biodiversidade e dizimando milhões e milhões de pessoas.

O Presidente Lula, em sua intervenção no dia mesmo do encerramento, 18 de dezembro, foi a único a dizer a verdade: faltou-nos inteligência porque os poderosos preferiram barganhar vantagens a salvar a vida da Terra e os seres humanos.

Duas lições se podem tirar do fracasso em Copenhague: a primeira é a consciência coletiva de que o aquecimento é um fato irreversível, do qual todos somos responsáveis, mas principalmente os países ricos. E que agora somos também responsáveis, cada um em sua medida, do controle do aquecimento para que não seja catastrófico para a natureza e para a humanidade. A consciência da humanidade nunca mais será a mesma depois de Copenhague. Se houve essa consciência coletiva, por que não se chegou a nenhum consenso acerca das medidas de controle das mudanças climáticas?

Aqui surge a segunda lição que importa tirar da COP 15 de Copenhague: o grande vilão é o sistema do capital com sua correspondente cultura consumista. Enquanto mantivermos o sistema capitalista mundialmente articulado será impossível um consenso que coloque no centro a vida, a humanidade e a Terra e se tomar medidas para preservá-las. Para ele centralidade possui o lucro, a acumulação privada e o aumento de poder de competição. Há muito tempo que distorceu a natureza da economia como técnica e arte de produção dos bens necessários à vida. Ele a transformou numa brutal técnica de criação de riqueza por si mesma sem qualquer outra consideração. Essa riqueza nem sequer é para ser desfrutada mas para produzir mais riqueza ainda, numa lógica obsessiva e sem freios.

Por isso que ecologia e capitalismo se negam frontalmente. Não há acordo possível. O discurso ecológico procura o equilíbrio de todos os fatores, a sinergia com a natureza e o espírito de cooperação. O capitalismo rompe com o equilíbrio ao sobrepor-se à natureza, estabelece uma competição feroz entre todos e pretende tirar tudo da Terra, até que ela não consiga se reproduzir. Se ele assume o discurso ecológico é para ter ganhos com ele.

Ademais, o capitalismo é incompatível com a vida. A vida pede cuidado e cooperação. O capitalismo sacrifica vidas, cria trabalhadores que são verdadeiros escravos ‘pro tempore’ e pratica trabalho infantil em vários países.

Os negociadores e os lideres políticos em Copenhague ficaram reféns deste sistema. Esse barganha; quer ter lucros; não hesita em por em risco o futuro da vida. Sua tendência é autosuicidária. Que acordo poderá haver entre os lobos e os cordeiros, quer dizer, entre a natureza que grita por respeito e os que a devastam sem piedade?

Por isso, quem entende a lógica do capital, não se surpreende com o fracasso da COP 15 em Copenhague. O único que ergueu a voz, solitária, como um louco numa sociedade de sábios, foi o presidente Evo Morales: Ou superamos o capitalismo ou ele destruirá a Mãe Terra.

Gostemos ou não gostemos, esta é a pura verdade. Copenhague tirou a máscara do capitalismo, incapaz de fazer consensos porque pouco lhe importa a vida e a Terra, mas antes as vantagens e os lucros materiais.

A IGREJA E OS POBRES










No Antigo Testamento, vemos a situação econômica como reflexo da fé em Deus, ou da falta de fé. Com o advento da Boa-Nova anunciada por anunciada por Jesus, a pobreza passa a ser apresentada como resultado da ganância de alguns, e assim o Evangelho se torna mensagem de justiça e esperança de igualdade.

O Catecismo da Igreja Católica, no número 2443, assim leciona: “Deus abençoa aqueles que ajudam aos pobres e reprova aqueles que se afastam deles...”. Mais adiante, no numero 2445, diz: “O amor aos pobres é incompatível com o amor imoderado das riquezas ou o uso egoísta delas...”

Assim, nossa doação aos menos favorecidos deve ser levada a termo, na medida em que nos utilizamos dos meios de que dispomos para diminuir a miséria deste povo, que sofre devido à fragilidade dos Sistemas Públicos de saúde e educação; pela falta de oportunidades de emprego e até mesmo pela falta de qualificação para o mercado de trabalho.

É nosso dever enquanto cristãos (e, sobretudo religiosos e clérigos), auxiliar na aplicação de mecanismos para que esse povo sofrido seja o sujeito ativo de sua libertação.

Barbacena, 8 de março de 2010

Lucas Francisco Neto

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Visita ao Espírito Santo


Por ocasião da Festa da Penha 2010 estou no Espírito Santo, ficarei na terrinha por uns quinze dias. Tempo oportuno para rever os amigos, aproveitar o mar e descansar.

Abraçar uma vida nova não é fácil. Acostumar com horários, trabalhos pastorais, clima, alimentação e inúmeros outros fatores, mas, aos poucos vou percebendo a beleza da Missão que escolhi abraçar, em cada sorriso de um jovem, em cada abraço carinhoso que recebo.

Aos que tem me ajudado (material e espiritualmente) meu muito obrigado e minhas sinceras orações.